Bruxelas, um espetáculo gótico

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Grand Place concentra construções dos séculos 11 ao 15

Muita gente torce o nariz para Bruxelas, quando vai montar seu roteiro na Europa!Já ouvi até comentários do tipo “não vou visitar uma cidade que tem como atração principal um minúsculo boneco mijão”! Eu inclui três noites em Bruxelas num roteiro pela Europa e não me arrependi. O pedido veio da minha filha caçula, que adora quadrinhos e queria visitar a terra do Tintim – o jornalista detetive personagem da série desenhada pelo quadrinista belga Hergé. Posso garantir que a cidade oferece muito mais que o Manneken Pis– o tal boneco mijão. A capital da Bélgica tem um patrimônio arquitetônico riquíssimo, parques e praças excelentes para passeios, além de ser o lugar ideal para degustação de cervejas e chocolates.

A Bélgica tem três idiomas oficiais: francês, alemão e holandês. Na capital, fale-se francês, mas na área turística, é possível se comunicar em inglês sem problemas.

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Passeios pelo centro histórico de Bruxelas devem ser feitos a pé

Nesta viagem, utilizei pela primeira vez o site hotwire para fazer a reserva do hotel.  Esse site promete tarifas mais baixas em grandes redes hoteleiras, mas você tem que fazer a reserva  – irretratável -escolhendo apenas a categoria e a região do hotel. O nome só é revelado após o pagamento.

Tivemos a sorte de ficar no Le Meridien Brussels, que tem excelente localização para quem está na cidade a passeio – em frente à estação central de trem e ao lado da Grand Place, uma das maiores atrações da cidade. Nas proximidades do hotel, há muitos restaurantes, bares e cafeterias. Na Estação Central – que é enorme – encontramos diversos lugares para lanches rápidos e uma unidade do Starbucks, onde tomávamos café da manhã.

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Le Meridien  é confortável e tem localização privilegiada no centro

Durante a viagem ficamos dois dias e meio em Bruxelas e aproveitamos um dia para conhecer lugares próximos. Eu, meu marido e a filha caçula optamos por um bate-volta a Bruges e Genth (veja o post sobre o passeio a Bruges e Ghent), enquanto nosso filho mais velho pegou um trem para visitar uma amiga em Luxemburgo, país vizinho à Bélgica.

Nosso roteiro em Bruxelas foi dividido da seguinte forma:

Centro histórico

Como nosso hotel ficava exatamente na região, pudemos fazer todos os passeios a pé, inclusive aproveitando a noite para jantar e circular pelo centro que é cheio de restaurantes, bares e cervejarias.

La Maison du Roi, Torre do Hôtel de Ville e prédio onde funcionou antiga corporação

O lugar que mais me impressionou foi a Grand Place, que concentra prédios históricos belíssimos, como o Hôtel de Ville (século 15) e a La Maison Du Roi (início do século 16). No local, há um mercado do século 11 e vários prédios onde funcionaram corporações de ofícios. A visita à praça é parada obrigatória em qualquer roteiro a Bruxelas. Como ficava a poucos metros do hotel, passamos por lá vários vezes.

A estátua pequenina do Manneken Pis e a réplica gigante na frente de uma cafeteria

O Manneken Pis – a famosa e diminuta estátua de um menino fazendo xixi – fica numa esquina entre as ruas de l’Etuve & Du Chene, próximas à Grand Place. Tem que prestar bem atenção, senão você passa sem ver a estátua que é muito pequena. Nós passamos do lugar, sem percebê-la e voltamos para fotografar o pequenino. A estátua em si não é interessante, o melhor são as lendas que giram em torno dela.

Contam que um filho de um duque foi pego urinando numa árvore bem no meio de uma batalha, no século 12, fato que teria dado origem à estátua em homenagem à coragem militar. Mas há várias outras lendas sobre o Manneken Pis.

Duas igrejas chamam atenção por suas belas fachadas, ambas em estilo gótico: a Cathédrale Sts Michel et Gudule, cuja construção se iniciou em 1225 e durou por 300 anos, e a Notre-Dame Du Sablon, que fica numa das extremidades da praça que leva o mesmo nome.

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Bela fachada em calcário branco da Cathédrale Sts Michel et Gudule

A Place du Grand Sablon fica numa região de aclive entre as denominadas “cidades alta e baixa”. O local é cheio de restaurantes e antiquários considerados mais sofisticados. Quando estivemos por lá, achei o local meio vazio. Era verão e os belgas ricos deviam ter viajado de férias (risos).

Toda essa parte do centro histórico pode – e deve – ser feita a pé, pois você vai andando e descobrindo os belos prédios, fazendo paradas para experimentar as cervejas e chocolates belgas, pois o país é considerado um dos maiores produtores, no mundo, dessas duas gostosuras! Veja nossas dicas de como combinar as cervejas com os pratos aqui.

Chocolates e cervejas são duas especialidades belgas

Para quem não consegue escapar de uma comprinha, vale uma dica: a Kipling, marca de bolsas, malas e sacolas, é belga. No centro histórico há uma loja – sorry, esqueci o nome, mas fica bem perto da Grand Place – que vende produtos da marca a preços camaradas e modelos e estampas bem exclusivos. Fique de olho só no horário, pois as lojas no centro fecham bem cedo, por volta das 17h30, apenas a parte gastronômica permanece aberta até bem tarde.

Bruparck

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A gigantesca estrutura do Atomium em frente ao Brubark

Os dois principais parques de Bruxelas ficam numa região afastada do centro. Pegamos um ônibus hop-on hop-off e nossa ideia inicial era conhecer o Brupark e o Parc Du Cinquentanaire. Ao contrário de outras capitais europeias, achei que o sistema hop-on hop-off  não funciona bem em Bruxelas, tanto que não deu tempo de visitar o segundo parque, diante da demora do ônibus na volta, além do período de circulação ser bem reduzido, das 09h às 17h. Pelo menos, serviu para fazer um city tour para ter uma ideia geral da cidade.

Vistas das plataformas do Atomium

Acabamos ficando apenas no Brupark, que é um parque temático, que tem, na entrada, a enorme obra metálica Atomium, projetada por André Waterkeyn, em 1958, representando um átomo de ferro ampliado 165 milhões de vezes. Você pode subir no Atomium, que tem 100 metros de altura e possui plataformas para observação panorâmica, de onde se tem uma linda vista da região.

No último andar fica o restaurante L’Atomium, onde almoçamos. Não tínhamos reservado, mas conseguimos um lugar, porém é prudente marcar com antecedência, pois o local fica sempre lotado. Os pratos são bons, mas têm preços salgados. Paga-se não só pela comida, mas pela exuberante vista que o local proporciona aos comensais.

O L’Atomium tem boa comida e vista panorâmica

Outra atração muito procurada no parque é a Mini-Europe, que tem mais de 300 miniaturas das principais atrações da Europa, da Torre Eiffel ao Big Ben. Há ainda outros ambientes como um complexo de cinema e um parque aquático, que não visitamos. A entrada para cada uma das atrações é comprada em separado.

MIni-Europe é uma das atrações do Bruparck

Quadrinhos

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Escultura do Smurf no centro de Bruxelas revela que os quadrinhos fazem parte da cultura local

A Bélgica é berço de alguns quadrinistas famosos mundialmente, entre eles estão Pierre Culliford, mais conhecido pelo seu nome artístico Peyo, criador dos Smurfs e Georges Prosper Remi, o famosos Hergé, criador das Aventuras de Tintim. Na capital, é possível ver paredes inteiras retratando personagens de histórias em quadrinhos. Como nossa passagem por Bruxelas foi inspirada nesse traço especial da cultura belga, não podíamos deixar de conhecer os principais museus sobre o tema.

O Centro de Histórias em Quadrinhos é um museu que fica em Bruxelas

Começamos com uma visita, pela manhã, ao Centro Belga de Histórias em Quadrinhos.  Quem quiser conhecer um pouco da história dos quadrinistas belgas não pode dispensar uma parada nesse museu, que fica no centro histórico de Bruxelas, num lindo prédio de arquitetura Art Nouveau. Há exposições de grandes desenhistas belgas e do mundo. Além disso, existem mostras explicando os diversos estágios de criação das tiras, uma série de cartoons em tamanho natural e uma excelente loja especializada em quadrinhos no térreo. www.comicscenter.net/en/home

Interativade é o forte do Museu Hergé, que fica a 30 km de Bruxelas

No período da tarde, visitamos o Museu Hergé, que fica em Louvaine-la-Neuve, cidade a 30 km de Bruxelas. Compramos o passeio pela internet de uma agência de turismo, que oferece traslado e ingresso, saindo do centro da capital belga. Inaugurado em 2009, em comemoração ao centenário do nascimento de Hergé, o desenhista criador do repórter Tintim, o museu abriga diversos trabalhos do artista, desde ilustrações publicitárias a HQs diversas. Possui sessões interativas que garantem diversão para a família toda.  www.museeherge.com

Ommegang, uma ótima surpresa

No dia em que fomos visitar os museus de quadrinhos, percebemos uma grande movimentação de barracas expondo acessórios vinculados a Idade Média numa pequena praça próxima ao nosso hotel. No final da tarde, após as visitas, retornamos para o centro histórico e qual não foi nossa surpresa em assistir – sem ainda nem saber do que se tratava – ao maior festival medieval de teatro do país: o Ommegang!

Ommegang é o maior festival de teatro medieval da Bélgica

O festival acontece na primeira quinta-feira de julho e dura três dias. Só acompanhamos o primeiro dia, mas mesmo assim, foi uma apresentação e tanto. Mais de 1400 artistas participam da festa, repleta de música, dançarinos, pernas de pau e cavaleiros em seus cavalos ou a pé, soldados, fantoches, dente outros personagens.

O termo “Ommegang” significa “caminhar em volta” em flamengo antigo. A festa remonta ao século XV e em sua origem, tinha feição religiosa. A partir de 1549, ela passou a comemorar a entrada do Imperador Carlos V, em Bruxelas. O festival reconta, exatamente, esse evento, como teria ocorrido no século XVI e é executado com muita riqueza pelos moradores da capital belga.

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Grand Place fica lotada no período de apresentação do Festival

O objetivo da representação é fortalecer na população o vínculo com o passado e história do País. A Grand Place é tomada pelo público num espetáculo de cor e muita alegria.  Foi fantástico assistir, na rua, o espetáculo que nem sabíamos que existia!

Resumo da ópera:

Adorei ter incluído a Bélgica em nosso roteiro. Bruxelas é uma cidade encantadora, com um conjunto arquitetônico gótico de encher os olhos, cervejas e chocolates de dar água na boca e um patrimônio cultural tão rico e diversificado, que inclui o uso de três línguas oficiais num território que é bem menor do que a maioria dos estados brasileiros. Recomendo a visita!

Fotos de Suzy Freitas

Esse texto não contém anúncios ou publicidade. A citação de estabelecimentos visa apenas compartilhar com o leitor a opinião pessoal da autora sobre os serviços experimentados.

7 comentários em “Bruxelas, um espetáculo gótico

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  1. Suzy, amei o post! Se eu já queria conhecer Bruxelas, agora então, não volto a Europa sem visitar essa cidade linda. Adorei a dica do Hotwire, nunca usei. Eu, como sua filha, adoro quadrinhos, então vou anotar as dicas aqui bem direitinho. Sem contar que blogueira sem foto no Atomium não dá né?! rsrs. Ah e quero saber sua opinião sobre as batatas fritas!!

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  2. Amei!! Fiquei encantada com toda essa história medieval muito forte ainda na cidade/país. É tudo o que amo na Europa! Sem falar que um de meus pratos favoritos é belga: moules avec frites! Sou apaixonada e preciso comer olhando esse visual!! Agora, se a Martina souber que a Kipling é de lá, vai me fazer comprar passagem hoje!! Parabéns! O post está maravilhoso!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Bacana que gostou! Comemos o moules avec frites, muito bom! Mas, infelizmente, não tinha foto para postar. Fala para Martina, que a estampa de uma bolsa que minha filha comprou em Bruxelas foi elogiada pela vendedora da Kipling de Las Vegas, que disse que aquela estampa nunca tinha chegado lá!

      Curtido por 1 pessoa

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