Roteiro pelas atrações históricas de Florença

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A cidade foi berço do Renascimento, um dos maiores movimentos culturais da História

Quer respirar história e arte? Visite Florença. Você vai se sentir num museu ao ar livre, no qual arte e história estão expostas por todo o lugar e ainda tem bônus: além do que você encontra em vias públicas, há tesouros bem guardados em alguns dos museus mais importantes do mundo, como a Galeria degli ufizzi e a Galleria del’Accademia, só para citar alguns. Nós fizemos um roteiro de três dias em Florença que incluiu todas essas preciosidades.

A cidade, que hoje é a capital da Toscana, foi fundada no século I a.C., quando o exército romano expandia as fronteiras para o Norte. Há diversas lendas e histórias sobre a origem do seu nome: Firenze (em italiano) ou Florença (em português) significa florescência. Das histórias ouvidas, gostei da que diz que o nome se originou do fato de haver muitas flores no local. Isso me fez lembrar uma imagem clássica da Toscana, com seus campos cobertos de girassóis. Além disso, visitei lindos jardins em Florença, o que confirmaria a lenda!.

Florença e suas flores: origem do nome da cidade

Florença se tornou a capital europeia da arte no século 15, quando se tornou o centro do renascimento, movimento artístico e cultual que sacudiu o mundo mergulhado nos anos de trevas da Idade Média.

Nesse período, a atmosfera cosmopolita da cidade aliada à riqueza de poderosos mecenas, especialmente os banqueiros e governantes da família Medici, fomentaram o ambiente propício para o surgimento de artistas como Boticelli e Michelângelo. Na arquitetura, as construções de Brunelleschi desafiavam a imaginação como a enorme cúpula do Duomo, erguida sem andaimes!

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Palazzo Pitti: exemplar da arquitetura renascentista

O Renascimento Florentino é considerado o maior movimento de erudição europeu desde os tempos da Grécia e da Roma antigas. Todas as atrações que colocaram Florença como centro do mundo cultural na idade moderna ficam bem próximas, o que leva o visitante a ter aquela sensação de estar caminhando dentro de um enorme museu.

Ficamos quatro dias em Florença, dedicando três à cidade e um ao interior da Toscana. Recomendo a todos que vão visitar a Itália pela primeira vez que incluam Florença no roteiro, por sua importância cultural e artística, um verdadeiro tesouro do mundo ocidental.

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Índice de Posts da Itália:

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Como chegar

Não há voos diretos do Brasil para Florença, mas é possível chegar ao Aeroporto Amerigo Vespucci – Firenze Peretola, em Florença, a partir de conexões em outros aeroportos europeus.

Nós partimos de Veneza para Florença num trem da empresa Italo. Compramos a passagem pela internet no site da Italo, no valor de 23,90 euros, por pessoa. O email de confirmação que recebemos tinha um código de barras e serviu como bilhete para embarcar no trem. O percurso dura 2h05 minutos. Descemos na Estação Santa Maria Novella, a maior da cidade, que ficava a apenas 300 metros do nosso hotel. Achei a opção excelente.

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De Veneza à Florença: duas horas de trem

Quem já estiver na Itália, como nós, também pode fazer o trajeto interno de avião (existem voos de empresas low cost) ou de carro alugado, mas ficar com o automóvel em Florença é desnecessário, pois as atrações são próximas, o trânsito é ruim e o estacionamento caro. Existe também a possibilidade de chegar de ônibus até Florença, mas essa opção geralmente é mais demorada do que o transporte ferroviário.

Como se locomover

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Explorar a cidade a pé é a melhor pção

A cidade é cortada pelo rio Arno e quase todas as atrações ficam nas proximidades das duas margens do rio. Assim, a melhor forma de conhecer Florença é caminhando e apreciando sua bela arquitetura e obras de arte espalhados pelas ruas e atravessando suas pontes históricas, como a Ponte Vecchio. Enfim, explore a cidade a pé. Durante nossa estadia só usamos o táxi uma única vez para um percurso entre o Jardim de Boboli e o Piazalle Michelângelo, que era um pouco mais longo.

ANOTE A DICA

Como toda cidade histórica, algumas ruas de Florença tem piso de pedras e apesar das atrações poderem ser alcançadas a pé, anda-se muito, por isso, use sempre sapatos e roupas confortáveis. Na primavera e verão, leve filtro solar, chapéu e uma garrafinha de água. No outono e inverno, além de casaco e acessórios de frio, uma capa e um guarda-chuva serão bons companheiros.

Onde ficar

Durante toda nossa viagem à Itália, seguimos o mesmo critério para escolha do hotel: localização próxima às principais atrações, para evitar perda de tempo com deslocamentos urbanos. Em Florença, ficamos no Hotel Nizza, que está a 300 metros da Estação de Trem Santa Maria Novella e a cinco minutos a pé da Praça do Duomo. Localização perfeita para uma primeira viagem à cidade.

Optamos por hotel simples, mas muito bem localizado

O hotel é simples e antigo. É preciso subir um lance de escadas até a recepção. (o que pode ser desaconselhável para pessoas com dificuldade de locomoção). As acomodações são básicas, mas amplas e silenciosas, o que proporcionou boas noites de sono depois de passarmos o dia inteiro andando pela cidade. O café da manhã (incluso na diária) é simples mas não chega a comprometer. Os funcionários foram atenciosos e prestativos. Fizemos a reserva pelo site hoteis.com.

Apesar da diária para casal custar cerca de 110 euros, foi a opção mais em conta que encontramos nessa região. O hotel possui wi-fi, portaria 24 horas (nas minhas pesquisas, vi que muitas opções de hospedagens em Florença não ofereciam check-in e check-out 24 horas). Se você quiser ficar no centro histórico e pagar menos, há hostels e apartamentos disponíveis nos sites de busca, procure hospedagens próximas ao Duomo.

Onde comer

Pratos à base de carne são o forte da Toscana. Uma das especialidades do lugar é a bistecca alla fiorentina — um corte de carne, grelhado ou assado. Não definimos previamente os restaurantes em nosso roteiro. Procuramos sempre fazer as refeições nos locais que estávamos visitando, seguindo indicações de blogs ou de outros viajantes.

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Mercato Centrale tem boas opções gastrônomicas

Em Florença, almoçamos dois dias no restaurante Oliandolo (Via Ricasoli 38/40R, tel. 055/211296), que fica numa transversal da Praça do Duomo, mas não é nada turístico. Geralmente, é frequentado pelos locais que trabalham nas redondezas. A comida é de qualidade e o preço justo. Boa opção para quem está visitando essa área da cidade.

Jantamos na pizzaria e restaurante Orcagna, que fica na Piazza della Signoria, ao lado da Loggia dei Lanzi e em frente ao Palazzo Vecchio. Comida regular e preço um pouco mais alto devido à localização.

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Piazza do Duomo: restaurantes cobram mais pela localizaão

Se você quiser experimentar pratos típicos da Toscana um excelente lugar é o Mercato Centrale (Piazza del Mercato Centrale, tel. 055/2399798). No térreo funciona o mercado com várias opções de alimentos frescos. No primeiro andar fica a praça de alimentação com diversos restaurantes e até uma escola de culinária. Meu marido experimentou a birra (cerveja) Moretti La Rossa no Mangiare Sano e eu fui de zuppa (sopa de vegetais), comprada no quiosque de comida vegetariana e vegana Macella Bianchi.

O mercado fica no bairro de San Lorenzo e para chegar nele é preciso passar por alguns corredores lotados de barracas de vendedores de artigos de couro e outros produtos. Esse local, que mais parece um amontado de camelôs, é na verdade, o Mercado de San Lorenzo, todos que ali vendem têm licença da Prefeitura.

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El Borro: bistrô nas margens do rio Arno

Embora visualmente o local não seja muito agradável, é frequentado por locais e turistas que procuram comprar produtos de couro com preços mais em conta. Fomos andando até o Mercato Centrale no finalzinho da tarde e não tivemos qualquer problema com segurança.

Eu adoro lanchinhos e fiquei apaixonada pelas vitrines das pasticerias florentinas, com seus biscoitos e docinhos. Na Praça do Duomo tem uma loja da Lindt que vende um chocolate recheado com calda que é simplesmente sensacional!  Gelaterias estão espalhadas por toda cidade, é só escolher onde quer parar para se refrescar.

Roteiro de três dias em Florença

As duas principais atrações de Florença são história e arte, em muitos pontos esses itens estão entrelaçados, mas para facilitar o relato de nossa visita, vamos listar nesse post as atrações históricas que visitamos, sem esquecer que, a maior parte delas, também são tesouros para apreciadores de arte.

Neste outro post, contamos como foi a nossa visita a dois dos mais importantes museus de Florença: a Galleria degli Uffizi e a Galeria dell’Academia.

Clique na janela no alto à esquerda para ver as atrações que visitamos

DIA 1

Duomo, Batistério e Museu do Duomo

Chegamos por volta das 11 h em Florença e, depois de deixar as malas no hotel, almoçamos no restaurante Oliandolo e fomos explorar a Praça do Duomo. O conjunto formado pelo Duomo de Santa Maria del Fiore (Catedral de Florença), o campanário de Giotto e o Batistério de San Giovanni recebeu da Unesco o título de patrimônio da humanidade. Essas três construções formam uma composição bela e imponente, impactando todos que chegam à Praça.

ANOTE A DICA

A entrada para a Catedral de Florença é gratuita. O horário de abertura, durante a semana, é das 10h às 17h. Aos domingos, a igreja, geralmente, abre após as 13h30. Esses horários podem variar, portanto, antes de sua visita, confirme-os no site oficial.

Atenção com a vestimenta: é proibida a entrada com roupas que mostrem os ombros ou acima dos joelhos. Se estiver muito quente, leve um xale para cobrir os ombros no momento da visita.

Ingresso inclui vistas ao Batistério, Cúpula, Campanário, Cripta e Museu

Embora a entrada para a Basílica seja gratuita, eu recomendo, fortemente, que você adquira o ingresso para visitar todo o conjunto do Duomo. Para evitar filas, compramos o bilhete pela internet neste site, no valor 18 euros por pessoa. O ingresso pode ser utilizado por 72 horas, a partir do primeiro uso e dá direito à entrada no Batistério de San Giovanni, na Cúpula do Duomo, no Campanário de Giotto, no Museu da Opera di Santa Maria del Fiore e na Santa Reparata. Quem não comprar pela internet, pode adquirir os ingressos em um estabelecimento em frente à porta de entrada do Batistério.

A única atração que é necessário marcar o horário de visita (você escolhe no momento da compra) é a subida à Cúpula de Brunelleschi. Agendamos essa visita para 16h e enquanto esperávamos o horário, fomos ao Batistério, onde havia uma fila mediana na entrada.

Batistério

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Batistério é a construção mais antiga da Praça do Duomo

O Batistério de San Giovanni é uma das construções mais antigas de Florença, provavelmente do século 4o. Originalmente, foi um templo pagão, passando a funcionar como batistério cristão no século XI, quando foi reformado. O prédio tem forma octogonal e nele foram batizados diversos florentinos famosos, entre eles Dante Alighieri.

No interior, lindos afrescos no teto chamam a atenção

No exterior, destacam-se as os portões ricamente decorados. Internamente, o que chama mais atenção são os coloridos mosaicos do teto, elaborados por artesões venezianos, no século 13, retratando o Juízo Final. A luz que entra pela lanterna da cúpula e pelos vitrais no alto das paredes deixam os mosaicos ainda mais belos.

Duomo

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o majestoso conjunto do Duomo domina a Praça e a paisagem de Florença

A catedral é tão grandiosa que é difícil ter uma visão de sua totalidade. Além disso, as fachadas, em estilo gótico de cores claras, são tão detalhadas que você acaba se perdendo entre tantos adornos. Suas dimensões: 160 metros de longitude, 43 metros de largura e 90 metros em sua nave transversal. A altura da cúpula é de 114 metros. É um dos maiores templos católicos do mundo!

Começou a ser construída em 1296 e concluída 140 anos depois. A fachada atual só ficou pronta em 1887. Com sua enorme cúpula domina a paisagem de Florença e é até hoje o prédio mais alto da cidade. A majestosa igreja foi construída em proporção gigantesca para rivalizar com as Basílicas de Pisa e Siena, na época em que essas cidades eram rivais.

Interior da Catedral tem decoração discreta

Internamente, a Basílica não é ricamente decorada como no exterior. O que chama a atenção mesmo é o enorme e altíssimo vão, que chega a quase 100 metros no local coberto pela cúpula. Outros detalhes internos que merecem ser vistos é o belo afresco da Cúpula e as ruínas da antiga igreja de Santa Reparata que existia no lugar e foi demolida em 1296 (fica na cripta).

Como subir na Cúpula do Duomo de Florença

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Cúpula tem 114 metros de altura

A monumental cúpula da Catedral tem um telhado de mais de 50 metros de altura e foi projetada pelo arquiteto Filippo Brunelleschi quase um século depois da finalização da catedral. Tem 114 metros de altura e 45 metros de diâmetro. O grande feito de Brunelleschi foi construí-la sem andaimes, numa façanha construtiva para sua época. A decoração interior da cúpula é assinada por Giorgio Vasari e Federico Zuccari, que pintaram afrescos com diferentes cenas representando o Juízo Final.

Para chegar à cúpula, subimos 463 degraus de diferentes tipos e formas, alguns bem irregulares e em passagens apertadas, não indicadas para claustrofóbicos. O último trecho da subida é feito quase verticalmente entre as abóbadas interior e exterior.

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Entrada para cúpula é pela porta lateral da Basílica

Na subida, escadas irregulares e poucos vãos abertos

À medida que se vai subindo, pode-se ver como a estrutura interna compõe uma plataforma para o madeiramento que suporta a estrutura externa. Das plataformas internas dá para ver bem de perto os afrescos de O Juízo Final.

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Nas plataformas da subida, você vê bem de perto os afrescos do teto

Sinceramente, eu, que sou bem sedentária, não acreditava que conseguiria alcançar o topo, mas as viagens me dão um ânimo extra e cheguei lá, mesmo dando umas paradinhas para tomar ar. Posso dizer que a experiência misturou aventura e emoção. A vista do alto da cúpula é belíssima e foi muito bom ter essa visão ampla da cidade logo no dia de chegada.

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Depois da aventura da subida, a emoção de ver Florença do alto

Vistas do mirante da Cúpula

Campanário

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Campanário tem  85 metros e foi projetado por Giotto

Fica à direita da catedral, foi projetado por Giotto, que começou a construção mas morreu antes da conclusão da obra. Tem 85 metros de altura, sendo um pouco menor que o duomo. Sua fachada é revestida em mármore toscano branco verde e rosa, em estilo neogótico, e repete o feitio da fachada da Catedral, que foi adicionada em 1871-87. Na torre estão representados os planetas, a astrologia, a medicina, a construção civil, as virtudes dos teólogos entre outros símbolos.

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Ingresso inclui subida ao Campanário

Depois de subir e descer as escadarias do duomo, não tínhamos mais panturrilhas para encarar a subida ao Campanário e nos contentamos em admirá-lo apenas externamente, embora nosso ingresso incluísse a subida.

Museu do Duomo

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Museu do Duomo: resgate da história da grandiosa obra

O Museo dell´Opera del Duomo foi criado em 1891 com o objetivo de resgatar a memória da Catedral, expondo objetos do Duomo, do Batistério e do Campanário. O ingresso ao conjunto do Duomo inclui a visita a esse Museu que fica na mesma Praça e é muito bem organizado em 25 salas e três andares. Seu acervo inclui maquetes, réplicas de peças e obras de arte que fazem parte do Duomo. A visita é bastante didática e oferece uma visão ampla de como a grandiosa obra foi concebida e erguida.

O terraço do Museu tem vista para a Cúpula da Catedral que fica ali perto

Dentre as esculturas, destacam-se peças de Donatello, Luca della Robbia e até mesmo a máscara fúnebre de Filippo Brunelleschi, criador da cúpula da Catedral, feita por Andrea di Lazzaro Cavalcanti.

O museu dedica uma sala à Cúpula do Duomo, com um filme contando sua história. Neste local, ficam expostas réplicas e miniaturas de instrumentos usados na construção e a própria cúpula.

No último piso, há um terraço de onde é possível ver, bem próxima, a Cúpula do Duomo, que fica ali bem perto, na Praça.

Piazza della Signoria: Palazzo Vecchio e Loggia dei Lanzi 

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Escultura do grão-duque Cosino I

Saímos do Museu do Duomo, em direção à Piazza della Signoria, caminhando e apreciando as ruas de Florença. Durante anos, essa praça foi o coração político da cidade e nela estão algumas construções que fazem parte da história de Florença desde a época medieval.

No centro da Praça fica a escultura do grão-duque Cosino I, feita por Giambologna, em 1595.

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Palazzo Vecchio tem estilo medieval e até hoje sedia a Prefeitura de Florença

O Palazzo Vecchio (Palácio Velho) também está nesta Praça. O edifício, concluído em 1322, tem arquitetura em estilo medieval com um grande campanário e nele funciona até hoje a Prefeitura de Florença. Na entrada do prédio estão réplicas das esculturas Il Marzocco, de Donatello (o original está no Museu do Bargello) e o clássico florentino, Davi, de Michelangelo (o original está na Galleria dell’Academia).

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Loggia dei Lanzi: conjunto espetacular de esculturas

Em frente ao Palazzo fica a Loggia dei Lanzi, um vão coberto onde estão expostos um conjunto de esculturas belíssimo, um dos mais notáveis que já vi em espaço público, com destaque para Perseu, bronze de Cellini, e o Rapto das Sabinas, esculpida por Gambologna num único bloco de mármore. Há também esculturas menos conhecidas e algumas réplicas de peças que estão em Museus de Florença.

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A luz do cair da tarde dá um tom especial à Piazza

Jantamos no Orcagna, um dos restaurantes instalados na Piazza, desfrutando da luz do fim do dia, que na primavera, só ocorre por volta da 20h/20h30.

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Piazza della Republica

Retornamos andando para o Hotel e aproveitamos para visitar a Piazza della Republica, outra bela praça de Florença, marcada pelo imponente Arco da Abundância. O local é palco de músicos e artistas de rua e abriga o carrossel mais famoso da cidade, além de vários cafés e restaurantes.

DIA 2

Santa Maria Novella, San Lorenzo e Mercato Centrale

O segundo dia do nosso roteiro foi dedicado para conhecer a Galleria degli Uffzzi e a Galleria dell’Academia, dois dos mais importantes museus de Florença. (Aguarde o post com todas as dicas dessas visitas). Após sairmos dos Museus, ainda, deu tempo, de conhecer mais algumas atrações históricas de Florença.

Basílica de Santa Maria Novella

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A bela igreja dominicana fica na Piazza de Santa Maria Novella

Essa igreja dominicana fica na Piazza de Santa Maria Novella, bem próxima a mais importante estação ferroviária da cidade. Com sua fachada em estilo gótico, a bela igreja domina as atenções na Praça. Sua construção data de 1289 a 1357 e no seu interior estão algumas das obras de arte mais importantes de Florença, como os afrescos dos pintores Masacio e Girlandaio. Ao lado da igreja fica um cemitério murado com sepulturas em nichos. No lado oposto, os claustros formam um Museu. Para ver horário de funcionamento e valor do bilhete de entrada, visite o site oficial.

Basílica de San Lorenzo

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A mais antiga Basílica de Florença vista do alto

Continuamos nosso passeio a pé até a Basílica de San Lorenzo, que era a igreja paroquial da família Medici e é considerada a mais antiga de Florença, consagrada em 393. Funcionou como catedral da cidade por 300 anos até ser substituída pela Santa Reparata, a igreja que foi demolida para a construção do Duomo. A fachada da Basílica de San Lorenzo nunca foi concluída. Em seu interior está sepultado Cosimo, il vecchio, fundador da dinastia Medici, a família que governou Florença do século XV até meados do século XVII e foi responsável pelo apogeu econômico e cultural da cidade.

Fachada inacabada e detalhe lateral

Infelizmente, só conhecemos o exterior da igreja, pois quando chegamos estava fechada. O site estava em manutenção e não pudemos checar o horário de visitação. Quem se interessar em visitar, o endereço é Piazza di San Lorenzo, 9, 50123 Firenze FI, Itália. Fone: +39 055 216634.

Mercado de San Lorenzo

Partimos para o Mercato Centrale, mas para chegar nele tivemos que passar pelo Mercado de San Lorenzo, que na verdade, são corredores lotados de barracas de vendedores, especialmente de artigos de couro, produto típico da toscana. Mas há também venda de roupas, cachecóis, luvas, acessórios em geral e de vários tipos de lembrancinhas. Essa espécie de feira ao ar livre fica aberta todos os dias da semana, das 9h às 19h e até às 20h no verão.

Mercato Centrale

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Mercado tem área para venda de alimentos frescos e restaurantes no primeiro piso

Bem no meio dos corredores do Mercado/Feira de San Lorenzo, fica o Mercato Centrale, que foi renovado recentemente e conta com uma ala no piso superior com vários restaurantes. No térreo funciona o mercado de frutas, verduras, flores e tudo quanto é produto da culinária típica toscana, como queijos, presuntos, vinhos, embutidos, carnes, peixes e massas frescas.. Essa ala fecha mais cedo, às 14h de segunda à sexta, às 17h nos sábados, e não abre em domingos e feriados.

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Área gourmet é um bom lugar para se conhecer a culinária toscana

A área gourmet, no primeiro andar, abre diariamente das 10h à 0h e é uma ótima pedida para conhecer a gastronomia local seja num almoço, jantar ou num simples lanchinho. Além da boa organização e excelente culinária, o andar superior exibe um lindo teto de ferro e vidro, projetado por Mengoni, o mesmo arquiteto que assina a Galleria Vittorio Emanuele em Milão.

DIA 3

Ponte Vecchio, Jardim de Boboli, Piazelle Michelângelo

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A ponte mais antiga e famosa de Florença

 

O terceiro dia foi dedicado para conhecer um dos mais famosos cartões postais de Florença – a Ponte Vecchio – para depois atravessá-la e seguir para o Oltrarno, a região da cidade que fica na margem oposta do rio Arno.

Saímos do hotel caminhando rumo à Ponte, mas paramos para entrar numa Igreja, onde estava sendo celebrada uma missa em latim, com o padre de costas para os fiéis, como se rezava no passado em todos os templos católicos.

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Interior do renascentista Palazzo Strozi exibe obra moderna

Andamos mais uma quadra, viramos a esquina e, mais uma vez, paramos para entrar no Palazzo Strozi, um dos belos exemplares da arquitetura renascentista. Andar por Florença é assim: você se depara com um tesouro a cada passo e, às vezes, sua rota se torna mais longa do que o planejado.

Passamos pela ponte de Santa Trindade, uma das primeiras a ser construída no mundo, paralela à Ponte Vechhio, que permite uma visão frontal maravilhosa de sua irmã mais famosa.

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Ponte de Santa Trindade:  liga as margens do rio Arno

A estrutura que se vê hoje não é a original, pois a Ponte de Santa Trindade já foi destruída, algumas vezes, pelo transbordamento do rio Arno e uma de suas reconstruções foi projetada por Michelangelo. Quatro estátuas representando as estações do ano foram adicionadas à ponte em 1608, dando-lhe um charme especial.

Ponte Vecchio

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Ponte Vecchio e suas lojas atraem multidões de turistas

Por fim, nos dirigimos à Ponte Vecchio, a mais antiga de Florença, construída em 1345, com estrutura apoiada em dois pilares reforçados. Sobreviveu a incêndios e aluviões e escapou da destruição da Segunda Guerra Mundial.

Joalherias e antiquários ocupam o vão da ponte

Na parte superior da ponte estão instaladas diversas joalherias e antiquários, mas, originalmente, as lojas que ficavam ali eram ocupadas por ferreiros, açougueiros e curtidores, que foram despejados pelo Duque Ferdinando I, em 1593, quando o local passou a ser ocupado por joalheiros e ourives, uma tradição que permanece até hoje. No meio da ponte, foi colocado um busto de Benvenuto Cellini (1500-71), o mais famoso ourives de Florença.

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Corredor Vasariano: construido por cima das lojas do lado leste da Ponte

Um detalhe histórico importante foi a construção do Corredor Vasariano, elevado que segue o lado leste da ponte passando por cima das lojas. O corredor foi construído em 1565 para permitir que os Medici transitassem entre o Palazzo Vecchio e o Palazzo Pitti, através da Galleria degli Ufizzi, sem passar pelo meio do povo.

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Ponte Vecchio, no final do dia: mais bela sob os últimos raios do sol

Atravessamos a ponte para o Oltrarmo, mas retornamos a ela no final do dia para apreciar o por do sol. No ocaso do dia, a Ponte Vecchio fica especialmente bela, dourada sob os tons dos últimos raios do sol!

Palazzo Pitti

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Palazzo Pitti: o imenso prédio foi residência da poderosa família Medici

Ao contrário do Palazzo Vecchio, que conserva o estilo medieval, o Palazzo Pitti é uma obra de arquitetura renascentista com suas linhas retas e arcadas clássicas. Começou a ser erguido em 1457 pelo banqueiro Luca Pitti, mas sua tentativa de concorrer com os Medici fracassou quando os custos da construção levaram seus herdeiros à falência.

Pátio e Jardim do Palazzo

Os Medici compraram o enorme edifício e para ali se transferiram em 1550. A construção histórica que está muito bem conservada também já funcionou, por um pequeno período, como residência do rei da Itália. Hoje, o Palazzo abriga vários museus que expõem tesouros da poderosa família Medici, sendo o maior destaque a Galleria Palatina, em cujo acervo figuram trabalhos de artistas como Rafael, Tiziano, Caravaggio e Tintoretto.

O ingresso para visita ao Palazzo custa 19 euros e pode ser adquirido pela internet neste site ou na bilheteria que fica no próprio monumento.

Jardim de Boboli

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Fonte de Netuno é uma das atrações do jardim

Fica logo atrás do Palazzo Pitti e é um exemplar da jardinagem estilizada renascentista, que, mais tarde, serviu de inspiração para muitas cortes europeias. Quando foi construído, entre os séculos XV e XIX, era o jardim da família Medici, que ali instalou um anfiteatro, palco para a apresentação das primeiras óperas da história da cidade.

Ornado com esculturas, o jardim serviu de modelo para muitas cortes europeias

A grande área verde de 45 mil km2 é um a espécie de museu ao ar livre com estátuas de vários estilos dos períodos antigo e renascentista. Possui também grandes fontes e cavernas e terraços que oferecem belas vistas de Florença.

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Local recebe 1 milhão de visitantes por ano

O jardim foi aberto ao público em 1766 e hoje é uma das atrações mais visitadas de Florença, recebendo cerca de 1 milhão de pessoas por ano.

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Do mirante em frente ao Museu de Porcelana se tem vista para essa região de Florença

A visita ao jardim pode ser feita seguindo-se duas rotas: a primeira é direta e passa pela ninfa, o teatro, a fonte de Netuno e a estátua da deusa Fortuna. A segunda rota segue em zigue-zague, levando até às cavernas.

Nós seguimos a primeira rota, porém continuamos até o Museu de Porcelana, que fica numa parte alta do jardim, com uma linda vista de uma região de Florença com poucas construções.

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Museu de porcelana e vistas de seu mirante (abaixo)

Depois, seguimos até o Portão do Belvedere para visitarmos o Giardino Bardini. Aqui há um mirante voltado para o centro histórico da cidade, com uma vista arrebatadora de Florença.

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Passeio pelo enorme jardim é relaxante e encantador

O jardim é realmente encantador, com suas trilhas e bosques tranquilos de azevinhos e ciprestres, ornado com estátuas e fontes, um lugar para se passar um dia tranquilo e recheado de arte em meio ao verde. Não é à toa que entrou para o rol de Patrimônio Mundial da Humanidade da Unesco.

Florença vista do mirante do Giardino Bardini (Jardim de Boboli)

O ingresso para visita ao Jardim de Boboli custa 13 euros e pode ser adquirido pela internet neste site ou na bilheteria que fica no próprio monumento.

Piazalle Michelângelo

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O mirante mais fotogênico de Florença

Deixamos o Jardim de Boboli e pegamos um táxi até o Piazalle Michelângelo, uma larga praça, que ostenta no centro uma réplica da famosa escultura de Davi, de Michelângelo. Bem em frente fica o badalado Flo Lounge Bar. O Piazalle é, na verdade, um mirante construído no topo de uma colina da cidade. De sua muralha, você tem uma vista magnifica de Florença, especialmente, da região mais fotogênica da cidade formada pela tríade Ponte Vecchio, Duomo e Basílica de Santa Croce. Prepare celular e câmara porque você não vai querer sair dali antes de esgotar a bateria dos aparelhos.

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Do Piazalle, pode-se avistar o Duomo e a Ponte Vecchio

Muitos turistas se reúnem no local para ver o por do sol, horário em que aparecem músicos e artistas de rua para fazerem suas exibições. Como já tínhamos decidido passar o final do dia na região da Ponte Vecchio, descemos do Piazalle para o centro de Florença por uma ladeira íngreme, onde há um lindo jardim de rosas – dando uma paradinha para fotos, é claro.

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Cúpula do Duomo vista do Jardim das Rosas

 

Igreja de San Niccolo e placa indicando subida para o Piazzale

No final da ladeira fica o tradicional bairro de San Nicollo, com muitos bares, restaurantes e pequenas lojas vendendo vinhos e produtos alimentícios. Atravessamos algumas ruas e saímos na margem no rio Arno, de onde continuamos até o El Borro, um bistrô que fica nas proximidades da ponte de Santa Trindade para ver o sol se por sob a Ponte Vecchio, o que só ocorreu por volta da 20h30, numa tarde estendida de primavera!.

ANOTE A DICA

Se você estiver no centro histórico de Florença e quiser ir até o Piazalle de Michelângelo, pode ir andando, fazendo o inverso do caminho que percorremos na descida. Nós só pegamos um táxi porque estávamos um pouco distante do local, no Jardim de Boboli.

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Fotos de Suzy Freitas

Esse texto não contém anúncios ou publicidade. A citação de estabelecimentos visa apenas a compartilhar com o leitor a opinião pessoal da autora sobre os serviços experimentados.

23 comentários em “Roteiro pelas atrações históricas de Florença

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  1. Ainda não tive a oportunidade de conhecer Florença, mas é um destino dos sonhos. Você fez com que se tornasse ainda mais desejado. Amo esses posts superrrr completos.
    De fato, é um dos destinos mais ricos em história, e sem contar que tem cada vista sensacional!!! Então, juntou a beleza do lugar com a cultura impressionante. Combinação perfeita!

  2. Florença é mesmo uma cidade que é um museu a céu aberto! Que saudade me deu lendo o post… Muito bem detalhado e descrito, por sinal!, Dá uma ideia real de como é andar por lá e o mais importante a se visitar, otimizando o tempo. Parabéns!

  3. Maravilhoso seu post. Eu quero visitar a Itália pela primeira vez ano que vem e Florença vai pra lista! Itália deve ser tão encantadora que nem quero misturar com outro país, quero uns 20 dias só por lá. Fiquei contente em saber que em 3 dias consigo conhecer muita coisa. E a parte da culinária também me agradou! Amo carne!

    1. Oi, Anna! Fico feliz que tenha gostado do post! Vinte das dará para fazer uma bela viagem na Itália! A parte histórica de Florença é bem concentrada e três dias são suficientes. Se quiser visitar o interior da Toscana, precisará de mais tempo, a depender das cidades que desejar conhecer. Um grande abraço!

  4. Eu sou suspeita para falar da Itália, morei por um tempo e me apaixonei de uma forma inexplicável, tanto pela culinária, história, arte, cultura. Florença é um lugar que não tive o prazer de conhecer ainda, mas já estou me organizando para uma próxima visita e amei seu post.

    1. Olá Mari! Florença foi uma das cidades que não abri mão em minha primeira viagem à Itália! É tanta cultura, arte e história justos. Uma maravilha para quem aprecia esse tipo de viagem! Obrigada pela sua visita!

  5. La bella Firenze! Tão linda. Tão tão tão linda. Florença é tão bela, e na mesma proporção de completeza de seu post. Caramba, Suzy, você tem escrito posts pra lá de excelentes, tem de rudo. Pretendo viajar pra Itália, e não há de tardar muito. A próxima grande viagem ou será Itália ou será Japão. E tava pensando em reservar justamente 3 dias pra Florença. Pelo visto, é uma boa, pois viram de tudo, e viram até umas coisas que eu não conhecia. Quero. Apenas quero. Ótimo post!

    1. Oi Igor! Sempre fico feliz com sua visita e comentário! Não conheço o Japão, mas também deve ser um destino de sonhos! Eu já queria conhecer a Itália há muito tempo e, agora, estou com vontade de explorar outras regiões do País! Acho que todos dois destinos serão excelentes para uma grande viagem. Só não recomendaria a Itália no inverno!!!

  6. Post mega completo, cheio de detalhes! As fotos estão lindas, a Itália é tão bela e de fato, Florença realmente merece uma visita, infelizmente quando fui na Itália, foquei mais nas partes de praia e preciso voltar urgentemente para conhecer mais de Florença. Post favoritado!

  7. Quanta coisa bacana para fazer em Florença! Adorei o roteiro, vou separar 3 dias também para a minha viagem e achei perfeito!

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