Península de Maraú: Barra Grande e Taipu de fora

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Sol a pino, céu azul, é verão. Chegou a época do ano mais querida, hora de desbravar novos mares. Viajante em Série aportou na Península de Maraú, onde ficam Barra Grande e Taipu de Fora, para conferir o que essa região do litoral centro-sul da Bahia tem. Nossa equipe (eu, minha filha e uma sobrinha de coração) só teve surpresa boa: mar calminho adornado de coqueirais, uma vila pé na área do jeito que a gente gosta, piscinas naturais, lagoas e praias quase intocadas. Encontramos um lugar de sonho para ver a vida virar verão. Então, vem com a gente, que vou te contar como foi nosso roteiro de três dias neste paraíso, que é a Península de Maraú.

Onde fica

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Barra Grande e Taipu de Fora ficam na Península de Maraú, município localizado no litoral baiano, a 270 km ao sul de Salvador (via Ilha de Itaparica) e a 127 km ao norte de Ilhéus, na chamada Costa do Dendê. A Península de Maraú tem 50 km de orla, com praias belíssimas. Não é fácil chegar ao local, que só é acessível de barco ou por uma estrada de chão, partindo de Itacaré.

Para chegar à Península, só de barco ou enfrentando  estrada de terra

O acesso difícil ajudou a preservar as praias da região e conservou muito do sossego da vila de pescadores. E o que é melhor: os empreendimentos turísticos que foram se instalando esbanjam charme. Pousadas, restaurantes e barracas de praia esperam o visitante com gazebos à beira-mar, decoração caprichada e ambiente aconchegante. Não é a toa que Barra Grande é o destino de celebridades no seu já famoso réveillon. Mas fora desse período, a vila de chão de terra batida conserva uma razoável tranquilidade, mesmo no verão. Estivemos no més de janeiro, de terça a sexta-feira, e pudemos curtir tudo com bastante sossego.

Móveis de madeira e almofadas dão charme às barracas de praia

A praia de Taipu de Fora, considerada uma das mais bonitas do Brasil, fica a 20 minutos de carro da vila de Barra Grande. Aqui a grande atração fica por conta das piscinas naturais, que se apresentam em todo seu esplendor em dias de sol e na maré baixa, nos períodos de lua cheia ou nova.

Enfim, a Península de Maraú é um destino excelente para quem curte ecoturismo, com praias espetaculares, lagoas e cachoeiras. Dá para fazer uma viagem econômica e aproveitar bastante a região. Mas quem quiser sossego, com muito conforto e alto nível, também pode escolher o local e relaxar com todas as mordomias disponíveis nos hotéis mais requintados em praias quase desertas da Península, como o luxuoso Kiaroa, que fica num trecho isolado da praia da Bombaça. Seja qual for o seu estilo, garanto que a Península de Maraú é um lugar encantador.

Como chegar na Península de Maraú

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Lanchas rápidas fazem a travessia de Camamu para Barra Grande em cerca de 30 minutos

Pelo Aeroporto de Ilhéus:

O aeroporto mais próximo da Península de Marau é o de Ilhéus, cidade que fica no litoral centro-sul da Bahia. De Ilhéus você terá que ir até a cidade de Camamu (115 km) para atravessar o Rio Acaraí, em lanchas que levam 30 minutos para chegar ao píer de Barra Grande.

O percurso de Ilhéus até Camamu pode ser feito por transfer oferecidos por empresas de turismo, ônibus, táxi ou carro alugado.

Caso opte pelo aluguel de carro, você pode ir direto para Barra Grande (sem atravessar o Rio Acaraí), pegando a BR-030, que sai de Itacaré, mas terá que enfrentar um trecho de 40 km de estrada de terra. Para isso, dirija de Ilhéus para Itacaré pela BA-001 e de Itacaré pegue a BR-030 até Barra Grande. A vantagem é que você ficará com o carro para percorrer as praias da Península. Há uma estrada de chão que liga toda a área.

Atenção: o trecho de terra da BR-030 pode ficar complicado para carros comuns após períodos de chuva, por isso, consulte seu hotel ou pousada sobre as condições da estrada. Caso não esteja em condições de trânsito, você pode deixar seu veículo num dos estacionamentos de Camamu e pegar a lancha até Barra Grande.

Pelo Aeroporto de Salvador:

O número de voos para Ilhéus é bem menor do que os que se destinam a Salvador. Além disso, você pode optar por conhecer a capital baiana (super recomendo :)) e de lá seguir para Barra Grande. De carro ou de ônibus você terá duas opções:

1 – Pegar o ferry-boat e atravessar até a Ilha de Itaparica. De lá, seguir (carro, ônibus ou táxi) até Camamu, de onde você tomará a lancha para Barra Grande.

2 – Seguir pela por via terrestre (BR 324 e BR 101) para contornar a Baía de Todos os Santos e, depois, pegar a BA 001 até Camamu, de onde saem as lanchas para Barra Grande.

A primeira alternativa é mais rápida e menos cansativa.

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Píer na Vila de Barra Grande

⇒ Nossa opção

Como estávamos viajando no ‘modo econômico’, fizemos o percurso todo em transporte público. Saímos de Salvador, onde moramos, e atravessamos de ferry boat até o Terminal de Bom Despacho, na Ilha de Itaparica (R$5,00 em dias úteis ou 6,70 em fins de semana e feriados e cerca de 1 h de percurso). Na Rodoviária de Bom Despacho, pegamos um ônibus da empresa Cidade do Sol até Camamu (RS 40,00 a passagem de ida por pessoa e cerca de 3h50 de percurso).

As empresas Águia Branca e Cidade do Sol são as que fazem esse trajeto de forma mais rápida, por isso são as mais indicadas.

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Atracadouro na cidade de Camamu

O ônibus no qual viajamos parou em várias cidades durante o percurso, o que alonga o tempo de deslocamento, mas pelo menos tinha ar-condicionado e sanitário. Como estávamos no clima de férias, nem percebemos o tempo passar até chegarmos a Camamu. Do ponto de ônibus, você já vê a unidade da Camamu Adventure, um das empresas que faz o trajeto de lancha. Compramos as passagens (R$30,00 por pessoa) e cerca de trinta minutos depois estávamos desembarcando no píer de Barra Grande.

Como circular na Península de Maraú

São 50 quilômetros de costa, portanto, não dá pra conhecer todas as praias a pé. Quem não estiver de carro, pode contratar os serviços de jardineiras (caminhonetes adaptadas com bancos para transportar vários passageiros) ou táxi. Há também a opção de aluguel de quadriciclos, bom para quem está em dupla. Mas atenção: todos os veículos, inclusive motos e quadriciclos, só podem circular pela estrada de terra, nunca pelas praias!

Quando ir

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Viajamos em Janeiro, tivemos dois dias de sol e um nublado

Setembro e outubro são meses de sol garantido. Abril, geralmente, chove muito. Nos demais meses, pode chover um pouco.

Fomos em janeiro, pegamos dois dias com muito sol e um dia que começou bem chuvoso, mas depois o tempo ficou parcialmente nublado.

O que fazer na Península de Maraú

A seguir, confira, nosso roteiro:

♥ Tarde do dia de chegada

⇒ Por do sol em Ponta do Mutá

Aproveitamos a tarde de chegada para ir a pé até a Ponta do Mutá

Chegamos por volta das 16h30, deixamos as mochilas no hotel e voltamos para a orla onde caminhamos por cerca de dez minutos, para esquerda, até a bela praia de Ponta do Mutá para curtir o por do sol. Essa praia é a última que fica voltada para a Baía de Camamu e tem águas calmas durante todo o tempo, independente da maré. Rasinha, é ótima para ir com crianças ou ficar relaxando numa de suas barracas charmosas.

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O por do sol na Praia da Ponta do Mutá é um dos mais bonitos da Península

O por do sol é lindo e muitas pessoas se dirigem para lá para assisti-lo. No trajeto entre a Vila e a Ponta de Mutá, você verá uma passarela de madeira contornando algumas pousadas à beira da praia. Quando termina o deque, continue pela areia, onde estão as barracas – há até uma filial do beach club internacional Cafe de La Musique, que só funciona na alta estação – até a ponta do areal. Esse é o lugar para assistir o por do sol. Se você continuar caminhando após da ponta, estará no caminho para a Praia de Três Coqueiros, que já fica no mar aberto. Como esse lindo entardecer, inauguramos nossa programação e aproveitamos o tempinho que nos restou do primeiro dia de viagem.

⇒ Jantar na Vila

O centro da vila de Barra Grande tem chão de terra e igrejinha antiga

À noite, o agito fica no centrinho da Vila, onde jantamos no restaurante Dona Senhora. Muitos bares e restaurantes tocam música ao vivo nas pequenas ruas da “Galeria da Vila”. O centrinho lembra o estilo de Caraíva. O local é fechado para carros e o chão é de terra batida. Há uma igrejinha fofa, muitos turistas transitando entre vendedores de tapiocas, artesanato, lembrancinhas…. Se você quiser adquirir aquele visual praiano, há prestadores de serviço fazendo tatuagem temporária ou colocando trancinhas (tererês) no cabelo, tudo para deixar você com a cara da baianidade 🙂

No quesito musical, a Vila de Barra Grande ganhou minha admiração: quase todos os bares e restaurantes tocavam MBP de qualidade, desde nomes tradicionais aos mais moderninhos.

♥ Segundo dia

⇒ Passeio às ilhas da Baía de Camamu e Cachoeira do Tremembé

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Arco Grande na Ilha da Pedra Furada

Eu adoro ficar no mar e comecei o segundo dia da trip fazendo o passeio às ilhas da Baía de Camamu, que é a terceira maior do Brasil, atrás da Baía de Todos os Santos e da Guanabara. Contratamos a Camamu Adventure, mas há outras empresas que oferecem esse tour. Os preços são praticamente tabelados e existem dois tipos de passeios: 5 ilhas – Pedra Furada, Sapinho, Goió, Ilha Grande e Campinho (cerca de 60 reais por pessoa) ou as 5 ilhas mais a cachoeira de Tremembé (cerca de 100 reais por pessoa). Considero um banho de cachoeira um dos melhores remédios antiestresse e fizemos o passeio completo, que começou às 10h e terminou um pouco depois das 16h, numa lancha rápida de pequeno porte.

Pequena trilha na ilha e loja de artesanato

Nossa primeira parada foi na Ilha da Pedra Furada, que tem esse nome devido à formações rochosas com furos, que rendem boas fotos. A ilha é uma propriedade particular e quem quer entrar paga uma taxa de R$ 5,00. Há uma pequena passagem, chamada pelo sugestivo nome de “Gruta da vagina” por onde se tem acesso a um local da ilha onde há uma loja de artesanato e banheiros.

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Arco menor na entrada da Ilha

A ilha é pequena e seu grande atrativo são mesmo as pedras “furadas”. Há duas rochas formando arcos. Todas as pedras do lugar são furadinhas, resultado da ação de um molusco chamado guzano sob o granito arenoso dos rochedos.

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No passeio das Ilhas, você encontra praias desertas de águas transparentes

Depois dela, paramos na Ilha Grande. No local onde a lancha atracou não havia infraestrutura de barracas, apenas vendedores ambulantes de bebidas. Em compensação o visual é lindo, com águas calmas, transparentes e de um azul tranquilo que dá vontade de dormir. Mas como o calor estava intenso, em vez de cochilar, caímos no mar para um banho delicioso até partirmos para a Ilha do Goió. Nesse percurso, o barco parou na Ilha do Sapinho, onde todos fizeram o pedido para o almoço, que é servido num restaurante neste local, na volta.

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No Balanço de um coqueiro no Passeio às Ilhas

Na Ilha do Goió, o cenário também é de mar calmo, tipo piscininha, afinal todas as ilhas estão localizadas dentro da Baía de Camamu. Nesta ilha, encontramos boa infraestrutura de barracas de praia, com redes e gangorras penduradas em coqueiros. Uma antiga embarcação encalhada na areia empresta um ar pitoresco ao local e serve como cenário para fotos dos visitantes.

Almoço foi servido em restaurante simples na Ilha do Sapinho

Voltamos para a Ilha do Sapinho, onde é servido o almoço num restaurante simples, mas de cozinha saborosa e farta. Nossas opções foram moquecas de camarão e peixe grelhado.

Não há parada na Ilha de Campinho, o piloto da lancha apenas mostra o loca, onde o Governo Federal iniciou um projeto para a construção de um Porto, devido a boa profundidade do mar para atração de navios, mas a ideia não foi adiante.

No percurso para Cachoeira, avista-se mangues, falésias e o centro de Maraú

Depois do almoço, partimos para o trecho mais longo do passeio, navegando por cerca de cinquenta minutos até chegarmos à Cachoeira de Tremembé. No caminho, observamos a vegetação, algumas falésias e a sede do Município de Maraú.

A cacheira não é muito alta, tem cerca de 5 metros, mas tem a particularidade de ser uma rara queda de água doce a desembocar num braço de mar, pois o Rio Maraú que fica embaixo da cachoeira tem água salobra e se comunica com o mar.

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A lancha se aproxima da Cachoeira de Tremembé

A parte do rio onde a lancha chega é funda, por isso o marinheiro leva cada um dos passageiros na ponta da lancha até a queda d’água para um delicioso banho. Depois desse “batismo”, você pode descer da lancha e ir acompanhada por guias locais até a parte de cima da cachoeira onde há piscininhas na rocha ou ficar na parte de baixo, sendo levado também pelos guias numa boia para nadar pelo rio e banhar-se por mais tempo na cachoeira.

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Um banho para lavar até a alma 🙂

Ficamos com essa segunda opção. Os guias são moradores de Maraú que se colocam a disposição dos visitantes, em troca de gorjetas. Pagamos 20 reais de gorjeta por três pessoas. Quem não quiser subir na rocha ou nadar no rio, pode permanecer na lancha, mas nenhum dos passageiros ficou. Todos foram curtir, à sua maneira, a cachoeira de Tremembé. Depois desse pitoresco banho, a lancha retorna com os passageiros para o píer de Barra Grande.

⇒ Por do Sol no Rio Carapitangui

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Por do sol no Rio Carapitangui

Na volta do passeio das ilhas, pedi ao marinheiro da lancha que nos deixasse no Bar da Rô (+55 73 – 3258-6076), que fica à beira do Rio Carapitangui. Com isso, economizamos a caminhada de 25 minutos da Vila de Barra Grande até o Bar. Paramos nesse local para ver um por de sol diferente, sob as águas do rio. O bar tem um grande deque de madeira com escadas que dão para o Rio e fica a apenas 20 metros da praia. O ambiente é informal, mas charmoso e muito bem cuidado. Além disso, também funciona como restaurante. Ficamos lá tomando banho de rio e esperando o por do sol, à base de suquinhos de fruta, já que nossa turma não toma bebida alcoólica. No local, também há aluguel de equipamentos para stand up paddle.

Bar da Rô: da mesa para o rio

Os preços praticados no Bar da Rô não são baixos e na alta estação se exige consumação mínima. Consulte o garçom, antes de fazer seu pedido. No dia que fomos, meio de semana de janeiro, não estavam exigindo consumo mínimo. De toda forma, pelo local privilegiado onde está situado, pela infra e pela ambientação, recomendo muito uma passadinha pelo Bar da Rô, nem que seja para um drinque ou um inocente suco de frutas, enquanto se acompanha as águas do rio ganharem o tom dourado, sob os últimos raios do sol.

⇒ Noite na Vila

À noite, repetimos o programa do primeiro dia, só que dessa vez preferimos um lanche mais leve no Villa Cafe. Na galeria ao lado do café, havia uma apresentação legal de música ao vivo, o que é bem comum nos bares e restaurantes do centrinho de Barra Grande, que tem a noite mais agitada de toda a Península de Maraú.

♥ Terceiro dia

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Praia de Taipu de Fora, a grande estrela da Península de Maraú

O terceiro dia estava reservado para a grande estrela de nossa viagem à Península de Maraú, que é a praia de Taipu de Fora, pois a maré estaria baixa pela manhã, alcançando seu menor índice, por volta das 9h, momento ideal para visitar as famosas piscinas naturais.

Embora tenha planejado o período da viagem após consultar a tábua das marés e verificar que estaria propícia para o mergulho nas piscinas, São Pedro nos surpreendeu com uma chuva forte, depois de um dia de sol maravilhoso. Ficamos no hotel, esperando a chuva passar e quando o aguaceiro deu uma trégua, fomos para o ponto de jardineiras pegar o transporte até a praia de Taipu de Fora.

Com a chuva os passageiros sumiram e como as jardineiras só saem com 4 pessoas (éramos 3) ou se você pagar pelo menos o valor de 4, decidi pegar um táxi (a corrida ficaria por 100 reais, mesmo valor de 4 passagens ida e volta na jardineira).

Eu também queria conhecer outros pontos da Península de Maraú, por isso resolvi fechar um pacote que incluía ida a Taipu de fora, com espera para banho e almoço, visita ao mirante “Morro do Farol”, Floresta das Bromélias e lagoas Azul e Cassange, com retorno ao hotel. O taxista, muito solícito e simpático, que tem o divertido apelido de “Picolé”, pediu 200 reais, mas acabou fechando por 180 reais o passeio completo. Achei excelente o custo-benefício.

√Anote essa dica

Os motoristas de Jardineiras também fazem tour pela Península de Maraú. Mas, se você estiver num grupo de 3 a 4 pessoas, o transporte de táxi da Vila de Barra Grande para outras praias ou atrações pode ser mais vantajoso do que nas jardineiras, que cobram passagem por pessoa, sem contar com o conforto do ar-condicionado do táxi naquele calorão e da vantagem de ter um motorista à sua disposição. Gostei muito do serviço do taxista “Picolé” (cel +55 73 99862-6488 99928-9380 ou 3258-6291), mas sempre há táxis disponíveis no ponto que fica próximo à parada das jardineiras na Vila de Barra Grande.

⇒ Taipu de Fora

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Visibilidade da água diminui com a maré enchendo e o dia nublado

Chegamos na praia de Taipu de Fora, próximo às 11h, com a maré já enchendo e o tempo ainda meio nublado. O motorista nos deixou no acesso à praia que fica entre os restaurantes Buda Beach e o Bar das Meninas. Saindo dessa área que fica bem movimentada e caminhando para direita, você verá as piscinas.

Alugamos máscara e snorkel na praia (20 reais por pessoa), para tentarmos mergulhar nas piscinas antes que enchessem de vez. Por conta da chuva e do tempo nublado, a visibilidade da água não estava tão boa, mesmo assim, a praia é muito bonita e visualizar a barreira de corais ainda que semi-coberta pelo mar não deixou de ser um espetáculo para os olhos.

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Basta um raio de sol para o colorido das piscinas encantar os olhos

A praia tinha muitas pessoas, mas não estava lotada. Toda a concentração fica ao redor das piscina. Saindo dessa área, você percebe que Taipu é muito tranquila. Quando o mar cobriu completamente os corais e as piscinas desapareceram formos almoçar no Bar das Meninas.

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Longe da piscina, Taipu é muito sossegada

Tanto o Bar das Meninas quanto o Buda Beach, que ficam vizinhos, são dois restaurantes de praia bem arrumados. Optamos pelo Bar das Meninas porque havia mesas vazias e queríamos continuar o passeio, mas creio que ambos restaurantes tenham o mesmo nível de qualidade e preço.

Buda na entrada da praia de Taipu de Fora e cenas da maré cheia

⇒ Tour pela Península

Depois de Taipu, nossa primeira parada foi no mirante “Morro do Farol”, onde fica uma torre e é o ponto mais alto da península. A parada é só para observar a vista, que é bem bonita.

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Belo visual no Morro do Farol, ponto mais alto da Península de Maraú

Seguimos para a Lagoa Azul. Sua água é doce, mas não é cristalina. Na verdade, o fundo da lagoa é coberto por uma areia de cor marrom escura e a princípio você pode até ficar com receio de entrar, mas acredite que apesar do tom esquisito da areia e da água escura, o banho morninho é delicioso. Ficamos bem próxima à margem, por segurança. Não havia infraestrutura no local, apenas um vendedor ambulante de água de coco e outras bebidas.

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Lagoa azul: banho morno e relaxante

Da Lagoa Azul, pegamos a trilha onde fica a “Floresta das Bromélias Gigantes”. É uma estrada de chão por onde o táxi que contratamos passou devagarinho para que apreciássemos a exótica vegetação e fez uma rápida parada para fotos.

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Bromélias gigantes formam uma pequena Floresta

Continuamos nosso passeio pela península, parando na bela Lagoa do Cassenge, que tem um lindo visual, com bar/restaurante. Parte da área é propriedade particular, mas o acesso à lagoa é livre. Não tomamos banho porque já era fim de tarde e preferimos ficar apenas apreciando a paisagem.

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Lagoa do Cassange: tranquilidade para apreciar o fim da tarde

Voltamos para a Vila de Barra Grande por uma parte da estrada que margeia outras praias do mar de fora. O mar estava com ondas altas, mas deu para ver a beleza do lugar e entender porque tantos brasileiros e estrangeiros se apaixonam pela Península de Maraú e fixam lá sua morada.

À noite, fomos até a Praça da Tainha, outra parte do centrinho da Vila, onde há muitas lojas de lembrancinhas, artesanato e confecções, além de restaurantes e bares. Nessa Praça, estava acontecendo uma apresentação musical de forró, diferente do lado do centro onde fica a Igreja, no qual predomina as apresentações de MPB ou música internacional.

♥ Manhã do dia de saída

⇒ Banho e Barraca na Ponta do Mutá

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No último dia, voltamos para as águas rasas e transparentes da Ponta do Mutá

Só tínhamos a manhã do último dia e aproveitamos para voltar à Ponta do Mutá. Adoramos essa praia de águas transparentes e mornas. As barracas são charmosas. Não cobram consumação mínima e têm chuveiro de água doce. Valeu muito nossa segunda caminhada da Vila até a Ponta.

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Piscininha mora e exclusiva na Barraca Mucama

Passamos a manhã na Barraca Mucama, tomando banho no mar e nas poças que formam verdadeiras piscininhas exclusivas ao lado da barraca. Sucos de frutas e água de coco, completaram nossa despedida zen desse paraíso.

Praias calmas e semi-desertas na Baía

Fim da manhã, acabou nosso tempo. Hora de voltar ao hotel e fazer o caminho de volta, já com aquela pergunta na cabeça: qual o próximo feriado, será que vai dar para encaixar um retorno à Península de Maraú?

Piscinas naturais

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Taipu de Fora na maré baixa e dia de sol. Foto do site www.taipudefora.com.br

As piscinas naturais da praia de Taipu de Fora são um dos grandes atrativos da Península de Maraú, mas para aproveitá-las, você terá que planejar a viagem para época em que a maré esteja muito baixa. A vazante faz com que a água fique represada nos recifes. O melhor momento para curtir as piscinas naturais é entre uma hora e meia antes e uma hora e meia depois do nível mínimo da maré baixa.

O horário da maré baixa varia a cada dia, por isso antes de programar seu passeio, verifique os dias e horários das marés, consultando o site da Marinha (clique nesse link). Recomendo a leitura desse post do Viaje na Viagem, que explica passo a passo como consultar a tábua das marés.

O melhor período para os passeios é na lua cheia ou nova, com nível mínimo da maré entre 0,1 e 0,3! Mas até com maré 0.7 é possível fazer a visita.

O tempo é outro aspecto que deve ser observado. Devem ser evitados os meses de chuva e dias nublados, pois a transparência das águas só é vista em dias de sol.

Mesmo com toda essa cautela, você pode ser surpreendido por um aguaceiro, como aconteceu conosco e sua piscina natural não vai ficar tão surpreendente quanto você vê em fotos profissionais. Mas aí a culpa não é da falta de planejamento e sim do clima que a cada ano fica mais descompensado!!!

Onde se hospedar

Os dois principais pontos escolhidos para hospedagem na Península de Maraú é a Vila de Barra Grande, local onde chegam as lanchas vindas de Camamu, ou a linda praia de Taipu de Fora.

Em Barra Grande, HTL Terra Mar tem acomodações simples, mas é bem localizado

Se estiver sem carro, fique o mais próximo da Vila de Barra Grande, para caminhar menos até o ponto de saída dos passeios (passeios de barco saem do píer e há ponto de táxi e de jardineiras (carro tipo 4×4) próximos à Vila. Também dá para ir caminhando às praias que ficam na Baía de Camamu e ao Rio Carapitangui. Se estiver de carro ou quiser mais privacidade, fique em Taipu de Fora, considerada a praia mais bonita da Península de Maraú. Caso fique cinco ou mais dias, sugiro que divida a hospedagem: 3 dias em Barra Grande, para explorar a região, 2 em Taipu de Fora, para lagartear ao sol nas espreguiçadeiras das pousadas pé na areia.

Nós ficamos no HTL Terra Mar, na Vila de Barra Grande. Tem boa localização, café da manhã variado e staff atencioso. O hotel faz parte de uma rede de proprietários argentinos, que tem mais duas unidades na Península de Maraú, uma delas em Taipu de Fora. Os apartamentos são simples. O hotel tem piscina e uma área externa agradável. Caso sua viagem for como a nossa, para explorar o lugar e não para ficar relaxando no hotel, recomendo o HTL Terra Mar pela boa relação entre localização e custo. Mas se você prefere um hotel com mais charme ou na beira da praia, vale a pena pesquisar as pousadas que ficam na orla.

Na Praia de Taipu de Fora, os colaboradores do blog Viajante em Série, Clari e Cris Silva, se hospedaram na Pousada Taipu de Fora, que fica próxima às piscinas naturais e tem um extenso gramado com espreguiçadeiras de frente pro mar. O casal elogiou bastante as acomodações e a culinária da pousada.

Outras dicas

Bagagem – Se for viajar no modo econômico (ônibus/barco) não exagere na bagagem, lembre-se que terá que carregá-la. Uma mochila contendo roupas leves e de praia e chinelos é suficiente. Não deixe de levar protetor solar, chapéu e óculos de sol, canga ou toalha de praia. Ao sair para os passeios, carregue sempre uma garrafinha de água para se hidratar.
TPA – A Prefeitura de Maraú cobra uma Taxa de Preservação Ambiental de R$10,00 para cada visitante que entra em Barra Grande. O pagamento é feito uma única vez, num guichê que fica na entrada da Vila. Nesse local há um ponto de informações turísticas.

Onde comer – Por conta dos nossos passeios, não almoçamos na Vila de Barra Grande. No tour das ilhas e cachoeira, almoçamos na Ilha do Sapinho e no tour por Taipu e Península, almoçamos no Bar das Meninas, na praia de Taipu de Fora. Em ambos os restaurantes, a comida é farta e saborosa, mas os camarões usados nas moquecas são muito pequenos. Um prato de moqueca de camarão para duas pessoas custa em média 100 reais.

Centro da Vila de Barra Grande tem muitas opções para refeições e lanches

À noite, jantamos pizza ou fizemos lanches (crepes e tapiocas). Há muitas opções para refeições leves na vila de Barra Grande, com preços razoáveis.

Camamu 

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Do alto da cidade, é possível ver parte da Baia de Camamu

No dia de chegada e de volta, almoçamos em Camamu, cidade que fica às margens do Rio Acaraí, de onde partem as lanchas para Barra Grande. Se por conta dos horários de ônibus/transfer, você também tiver que almoçar em Camamu, uma boa opção é o restaurante Art’s Sabores (+55 73 99984-1283/98128-1599/98128-8883), que fica próximo ao local de embarque das lanchas, na direção do Mercado de Artesanato. O restaurante serve comida caseira a quilo saborosa e com excelente custo. O único senão é a falta de um aparelho de ar-condicionado, item indispensável no verão baiano.

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Igreja Nossa Senhora da Assunção (Século 18)

Como todo viajante em série é curioso, enquanto esperávamos o ônibus que nos levaria a Salvador, subimos a ladeira que fica logo atrás do Mercado de Artesanato para conhecer o centro histórico de Camamu, cidade colonial, cujas origens remontam ao ano de 1560.

Camamu foi construída em dois andares, no estilo de Salvador. Na parte baixa situam-se o porto e o comércio. Na parte alta ficam igrejas e casas coloniais, que estavam fechadas no momento de nossa visita. Mesmo assim, pudemos admirar a bem cuidada arquitetura da Igreja Nossa Senhora da Assunção (século XVIII), da Câmara Municipal e do casario.

Construções históricas de Camamu estão bem preservadas

No alto, há um mirante para a Bahia, não chegamos até lá porque moradores informaram que o local não é seguro, mas tem-se uma boa vista da Baía na rua que dá acesso ao mirante, mesmo não indo até ele.

√ Anote essa dica

Se durante sua viagem, tiver um tempinho sobrando em Camamu, cidade de onde saem as lanchas para Barra Grande, aproveite para subir até a parte alta da cidade e conhecer o seu centro histórico.

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Gosta de praias? Veja outros roteiros testados por Viajante em Série:

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Confirme horários e preços antes de sua viagem.

22 comentários em “Península de Maraú: Barra Grande e Taipu de fora

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  1. Adorei seu post! Essa região da Bahia é um local que sempre tive vontade de conhecer e você conseguiu concentrar todas as informações necessárias aqui! O q me deixou mais feliz foi a quantidade de coisas possíveis pra fazermos lá, com certeza uma ótima opção para relaxar e curtir a natureza!

    1. Olá, Leonardo! Fico feliz que tenha gostado do post. Tem muita coisa bacana para fazer na Península de Maraú! Quando puder, programe sua viagem para lá. Um abraço.

  2. Passei o reveillon de 2010 na região e amei! Meu lugar preferido foi a Ponta do Mutá.. Passava o dia inteiro e curtia um lindo por do sol pra fechar bem a praia.

    1. Oi, Manuela! A península de Maraú é um encanto, né? O por do Sol na Ponta do Mutá foi nosso primeiro programa por lá. Também amamos. Obrigada pela visita. Bjs

    1. Que legal ter despertado em vocês a vontade de conhecerem a Península de Maraú! E experimentar as moquecas, claro:)! Obrigada pela visita.

  3. Toda vez que leio algo sobre a Bahia fico brava comigo mesma por ainda conhecer tão pouco desse estado tão cheio de belezas naturais. Já li muitos posts sobre a Bahia, mas esse seu está simplesmente sensacional. Um verdadeiro guia completo! Já favoritei!

    1. Oi, Anna! Fico feliz que tenha gostado do post! Quando vier à Bahia, inclua Salvador, terei o maior prazer de lhe apresentar a cidade, Também não deixe fora da trip a Península de Maraú, que é um lugar encantador. Beijos, querida!

  4. Eu nuuuunca tinha ouvido falar desse lugar: vi o título e já fui logo procurando onde ficava esse paraíso!
    Pra quem tem um tempo mais apertado, só um final de semana, por exemplo, o que vocês acreditam que seja imperdível, que não pode ficar de fora dessa lista, hein?!

    1. Oi, Maiara! não recomendo uma viagem de fim de semana para Península para quem mora fora da Bahia. O acesso é um pouco complicado, então você já perde um bom tempo para chegar. Como moro em Salvador, deu para fazer o básico em três dias. São esses programas que estão no post que recomendo para uma viagem rápida de, no mínimo, três dias na Península de Maraú. Obrigada pela visita. Um abraço.

  5. Olha, eu estou aqui impressionada com as fotos desse lugar. Tudo lindo demais. Já tinha ouvido falar, mas é a primeira vez que realmente leio a respeito! Adorei que é realmente possível fazer essa viagem no modo econômico, indo de transporte barato e sem precisar alugar carro. Também achei que precisasse de mais dias, você achou 3 dias o suficiente?

    1. Oi, Ly! Acho que 3 dias na Península de Maraú, excluindo o período de deslocamento, é o mínimo para fazer a viagem! Quem tiver mais um tempinho, recomendo 5 dias, divididos entre Barra Grande e Taipu de Fora. Obrigada por sua visita. Beijinhos.

  6. É o tipo de turismo que eu adoro fazer! Com muita praia e natureza, para relaxar e se desconectar! Essa taxa de preservação ambiental é um valor único de R$10 ou esse valor é cobrado por dia de permanência?

    1. Oi, Andreia! A TPA é cobrada uma única vez, na entrada da Vila de Barra Grande. A Península de Maraú é um lugar excelente para desconectar mesmo! ;). Obrigada pela visita. Um abraço.

  7. To namorando Maraú faz tempo, mas o acesso é meio complicadinho para quem mora no Rio, né? Acabo desanimando um pouco… mas depois de ver as suas fotos não tem ficar animada de novo. As piscinas de Taipu são tão lindas…você acha que 5 dias dá para fazer uma viagem bacana?

    1. Oi, Shefania! Se você conseguir voo do Rio direto para Ilhéus, acho que cinco dias dá pra faze uma viagem bem legal. Chegando por Salvador, você vai gastar mais tempo de deslocamento, mas, se tiver, ao meanos três dias inteiros, dá para fazer um roteiro como o nosso. Não se esqueça de ficar sempre de olho na Tábua das Marés, para ver as piscinas de Taipu de Fora! Um abraço.

  8. Adorei o seu post! Toda vez que leio sobre a Bahia vejo um cantinho mais lindo que o outro! A Península de Marau é espetacular! Uma praia mais gostosa que a outra! De todas as regiões que você visitou (barra grande, taipu de fora, a cachoeira..) o que mais gostou? Achou que o tempo de estadia foi suficiente?

    1. Oi, Silvia! que bom que gostou do post! Olha, é difícil escolher o lugar que mais gostei, poisa Península de Maraú é uma região encantadora. Mas, com certeza, o que chama mais a atenção dos visitantes são as piscinas de Taipu de Fora. Quanto ao tempo de estadia, eu recomendaria, principalmente, para quem vem de outros estados, no mínimo quatro dias inteiros. Obrigada pela visita. Um abraço.

  9. Que post mais completo, eu morro de vontade de conhecer a Península de Marau, mas sempre tive duvida na melhor epoca. Sei que lheus chove demaisssss.. Vou seguir sua dica de ir em setembro!! Deve ser um verdadeiro paraiso!

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